Somos um time (de seres humanos) !

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Este tópico contém resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Silas 2 meses, 1 semana atrás.

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    Silas
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    O texto de hoje é sobre um valor que tenho um carinho especial: “Somos um time”. Este valor, e tanto outros, costuma passar despercebido e interpretado superficialmente. Podemos entender ele como, “Na FLL nós competimos como um time, então eu tenho que trabalhar em equipe com o meu time de robótica”, isso não está errado, pelo contrário; a FLL realmente quer que os times trabalhem em equipe e aprendam a importância desse sentimento de união que é experimentado ao longo da temporada quando um grupo de alunos e professores se debruçam sobre um desafio.

    Mas eu não acho que seja apenas isso.

    Eu vou tentar mostrar meu ponto contando algumas histórias que me despertaram um sentimento e análise mais profundo sobre o valor “somos um time’.

     

    Na Alemanha os transportes públicos não tem catracas que impedem fisicamente as pessoas de usarem o transporte. Embora as catracas pareçam uma clara e prática solução, na Alemanha a sua ausência não faz com que as pessoas repentinamente deixem de pagar para se movimentar pela cidade. Embora exista uma série de fatores sociais, econômicos entre outros a serem analisados a partir dessa perspectiva; uma coisa que podemos tirar disso é que o que ajuda esse comportamento é o fato dos alemães se identificarem bem com a sociedade em que vivem e entendem seu papel nela, sendo assim não faz sentido deixar de pagar uma taxa que traz implicações positivas a todos ao invés de escolher o caminho que a curto prazo parece mais vantajoso.

    Comecei a perceber que o conceito de “somos um time” podia ser útil e ter implicações ainda mais interessante fora da competição. Como dito em outro post aqui no Aprenda Robótica, a FLL é apenas uma simulação do mundo real, é preciso extrapolar o que é usado lá para além. A perspectiva deste valor, pra mim segue no seguinte fluxo:

     

    Ou algo nesse sentido, semelhante. Comecei a olhar para todos os cantos e perceber como a noção de que somos um time poderia ir além do time da FLL, na real, aquelas 8, 9 ou 10 pessoas que fazem ali parte diretamente de um time, são apenas uma pequena, minúscula parte do gigantesco time que todos fazemos parte.

    COMO PRATICAR ISSO ?

    Nessa nossa jornada de tentar trabalhar mais os valores, entendê-los e conseguir expressar isso de maneira satisfatória durante o torneio, comecei a pensar em diferentes modelos, criativos para praticar habilidades que serão usadas no dia do torneio. No post sobre jogos de tabuleiro falei um pouco sobre. E agora gostaria de compartilhar mais uma história.

    Você que está lendo agora esse tópico talvez já tenha jogado ou ainda joga (talvez estivesse jogando logo antes de ler esse texto), League of Legends. Pra quem não conhece, esse é um jogo online, onde dois times de 5 jogadores duelam entre si em um mapa para ver quem consegue chegar a base do adversário e destruir o “Nexus”, seria o núcleo vital do time. Quem destruir primeiro, vence a partida. Este jogo é bastante popular, mas ele tem hoje em dia uma característica muito triste que é o constante desrespeito entre os jogadores, que ao invés de cooperar entre si, seja tecnicamente ou emocionalmente, preferem usar jargões como “joga o seu que eu jogo o meu”, “não ligo, você que se deu mal”, pra tentar justificar ações individualistas e que não valorizam o time. Pensando em situações assim inclusive cogitei um dia criar uma espécie de curso ou discussão em conjunto com outras pessoas sobre a aplicação dos Core Values. Aqui gostaria de compartilhar uma, infelizmente rara, história bastante positiva sobre esse comportamento dentro do jogo.

    Em um jogo “Ranked” (quer dizer que ele vale pontos num ranking nacional), um jogador morreu 2 vezes para o mesmo adversário e depois de reclamar um pouco, ao morrer pela terceira vez, imediatamente saiu. Mesmo sabendo que a chance de ganhar era menor jogando com um a menos, tentei jogar o meu melhor e me divertir (nós nos divertimos). Em um dado momento, um jogador que estava indo bem no time, tomou uma decisão ruim que custou com que naquele momento tanto o meu personagem quanto o dele morressem, ele se desculpou bastante, aceitando o próprio erro e tudo que eu disse foi: “Não se preocupe, somos um time”. Pensei que havia sido uma ação vazia, raramente um jogador aceita algum tipo de comentário espontâneo positivo de crescimento.

    Passado um tempo, o tal jogador que lá no começo do jogo desistiu, voltou. Os outros membros do grupo estavam irritados com ele, mas o jogador ao qual fiz o comentário ajudou ele e disse o seguinte:

    No caso “adc” ele está se referindo a posição que eu jogo.
    De qualquer maneira o jogo estava ainda difícil e tudo indicava que iríamos perder, embora aquela ação já tivesse valido pelo tempo todo.  Todavia, graças a jogadas em grupo que tivemos, um pouco de sorte, conseguimos vencer contra todas as expectativas, o que levou ao último comentário.

    Esse foi um exemplo interessante de como a percepção de time pode mudar o rumo das coisas, não só no sentido de cooperação em sociedade, mas também pensando nos resultados que podemos ser capazes de alcançar como um time. A FLL pode estar onde nem imaginamos.

    Conseguem pensar em outros valores que podem extrapolar a superfície do seu significado ? Vamos discutir 🙂

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