Meu projeto de pesquisa está pronto? Algumas dicas para ajudar sua equipe a responder essa pergunta.

Meu projeto de pesquisa está pronto? Algumas dicas para ajudar sua equipe a responder essa pergunta.

Olá pessoal! 😀

Esse é o meu primeiro (de muitos!) posts aqui no Aprenda Robótica e espero que seja bastante proveitoso para todos. Será muito bacana dividir com vocês dicas e informações sobre o Projeto de Pesquisa. Agradeço o convite dos organizadores dessa ferramenta fantástica. Ainda, dividir esse tema com a uma pessoa tão capacitada quanto a Marcinha será muito especial! Sintam-se à vontade para comentar dizendo o que acharam. Será um prazer esclarecer também qualquer dúvida que possa surgir.

O tema escolhido para o post de hoje pode parecer um pouco abrangente, mas tenho certeza que fará sentido para muitas equipes. Já estamos em meados de novembro e com a proximidade dos primeiros torneios é hora de parar por um minuto e refletir:

  • O projeto de pesquisa de minha equipe está “pronto” ou praticamente “pronto”?
  • Nós conseguimos atender os três passos do projeto de pesquisa?

Perguntas simples com respostas um pouco mais complexas. Desde cedo nossos professores, técnicos ou mentores nos ensinaram que todos os projetos de pesquisa devem ter início, meio e fim. Talvez vocês estejam acostumados com os termos introdução, desenvolvimento e conclusão. Para o Projeto de Pesquisa da FLL funciona exatamente da mesma forma, todas as etapas devem ser vencidas e o principal: existe um tempo limite para “entrega” deste trabalho.

Mas e agora, como posso saber se minha pesquisa realmente está “pronta” para ser apresentada nos torneios? Para responder a primeira pergunta, vamos utilizar os três passos do Projeto de Pesquisa para que sua equipe possa identificar em que etapa vocês estão e auxiliar na tomada de decisões que possibilitem a entrega de um ótimo trabalho.

1. Nós conseguimos identificar um problema de pesquisa?

Essa é a primeira etapa do processo. É essencial que seu problema de pesquisa, relacionado ao tema da temporada Trash Trek esteja de acordo com as regras oficiais. Você pode consultar os documentos da temporada no site oficial do Torneio de Robótica e lá efetuar o download do Desafio Trash Trek.

Lembre-se, nessa temporada sua equipe irá identificar um problema com a maneira que lidamos com o lixo. Para o Desafio TRASH TREK, lixo é qualquer item que você não vai mais utilizar e quer se desfazer. Ainda, vale lembrar que para o Projeto de Pesquisa TRASH TREK, não são considerados lixo: esgoto (água suja ou excrementos de pessoas ou animais) e gases (escapamento de carro).

Caso sua equipe ainda esteja nesta etapa a dica é: vocês precisam acelerar! Com a orientação dos técnicos e mentores, organizem sessões de brainstorming para discutir ideias, criem mapas conceituais, entre outros. Escolham aquela ferramenta que parecer mais interessante e viável e mãos à obra!

Algumas dicas de temas disponibilizadas no documento oficial da temporada para ajudar:

  • Coleta de lixo
  • Encontrar novos usuários para itens velhos (redirecionar)
  • Resíduos de comida
  • Resíduos de materiais eletrônicos (telefones, computadores, etc)
  • Resíduos perigosos (lixo hospitalar, produtos químicos, etc.)
  • Qual o impacto do lixo em sua comunidade
  • Aterros
  • Fabricação de produtos que não gerem resíduos
  • Processo de reciclagem
  • Classificação do lixo

2. Nós conseguimos encontrar uma solução inovadora para nosso problema?

Uma vez definido qual é o problema que será pesquisado, a equipe deve encontrar uma solução inovadora para ele. Esta solução pode ser uma inovação radical ou incremental. Acredito que vocês já saibam a diferença mas não custa relembrar: enquanto a inovação incremental está relacionada com a evolução nas características de um bem ou serviço já existente a inovação radical é aquela onde um produto ou serviço completamente novo é criado e disponibilizado.

É importante que a solução da equipe contemple três aspectos principais. Que seja fácil de explicar – e consequentemente de ser compreendida por todos. Deve ser inovadora (independente da inovação ser radical ou incremental) e por fim, a implementação e seus fatores devem ser extensivamente analisados.

Como posso saber se conseguimos concluir essa etapa? Minha dica é utilizar algumas perguntas que também estão nos documentos oficiais da temporada. Desculpem por indicar tantas vezes os documentos oficiais, mas isso é extremamente importante e foi ressaltado no último post do Adriano. Os documentos oficiais são o guia, o norte das equipes e devem ser a referência para organização dos trabalhos.

Então, de volta a solução inovadora de sua equipe, questionem:

  • Nós conseguimos reinventar o descarte de lixo para torná-lo mais eficiente ou seguro?
  • Nossa solução já existe ou ela é completamente nova?
  •  Nossa solução poderia evitar que algo virasse lixo como primeira opção?
  •  Por que nossa solução teria sucesso quando outros falharam?
  • Nós precisamos de alguma tecnologia especial para executar nossa solução?
  • Qualquer pessoa pode usar nossa solução, ou apenas algumas pessoas?

Se vocês conseguiram responder todas as perguntas: muito bom! Estão no caminho certo. Se ainda restam dúvidas, procurem respostas para os pontos que ainda não estão bem claros e busquem concluir essa etapa para chegar ao compartilhamento

3. Nós compartilhamos nossa solução antes do torneio com pessoas ou grupos que possam se beneficiar com ela?

É bastante comum que as equipes encontrem um problema bacana de pesquisa (lembram da introdução, ou início de nossa pesquisa)? Que imaginem, criem e desenvolvam uma solução inovadora (nosso desenvolvimento, ou “meio”) e por fim, acabem “esquecendo” de compartilhar essa solução antes do torneio, deixando o projeto de pesquisa sem conclusão, ou fim.

Existem algumas coisas muito importantes que devem ser lembradas no que se refere ao compartilhamento.

  1. Busque compartilhar com grupos ou pessoas que realmente tenham relação com a sua pergunta e com a sua solução. Por exemplo: compartilhar sua solução sobre como evitar que garrafas de vidro viram lixo com um profissional da indústria é bacana, mas será que não seria muito melhor se esse profissional trabalhar em alguma área ou empresa relacionada com vidros efetivamente? Da mesma forma, compartilhar um solução de coleta na sua escola é bacana, sem dúvida, mas será que não seria muito mais proveitoso se vocês puderem compartilhar com outras escolhas? Talvez com toda a cidade? Região? Pensem nisso. A definição de um bom “público” para compartilhamento os levará ao item 2.
  2. Feedback. Essa é uma palavra inglesa que significa mais ou menos o seguinte: uma informação que o emissor obtém da reação do receptor à sua mensagem, e que serve para avaliar os resultados da transmissão. Traduzindo para FLL: compartilhando com as pessoas, grupos e profissionais corretos, vocês poderão obter respostas verdadeiras e efetivas para descobrir se a sua solução realmente funciona, se ela é implementáveis e principalmente: como ela pode ser aprimorada. Isso nos leva ao último item.Feeback
  3. Nenhuma solução começa já pronta e na sua forma ideal. Por vezes, ela pode nem funcionar. Se isso acontecer já perto do torneio, não se desesperem. Procurem aprender como sua solução pode ser alterada ou aprimorada para que funcione da melhor forma possível. Lembrem-se que o aprendizado é o elemento essencial da jornada e que os projetos podem (e devem!) ser evoluídos inclusive após o torneio.

Caso sua equipe esteja nessa etapa, vocês já estão quase lá. Preparem sua apresentação, organizem as informações e preparem-se para curtir o torneio. Para finalizar esse longo post (obrigado pela paciência até aqui) mas que é muito importante nesse momento da temporada vou deixar duas últimas dicas!

Utilizem a rubrica da pesquisa – ficha pela qual a pesquisa será avaliada no dia do torneio e analisem se a equipe conseguiu atender a todas as etapas. Dediquem atenção aos pontos mais fracos. Importante: lembrem-se SEMPRE dos valores da FLL. O aprendizado é nosso verdadeiro prêmio.

E por fim, a última dica: antes, durante e depois: D I V I R T A M – S E. Sempre!

Um grande abraço e até a próxima!

Olá galera! Meu nome é Gianfrancesco Teribele Venturin mas muitos me conhecem por Gian ou Tchescow! Tive a grata oportunidade de conhecer o LEGO há tantos anos que nem vale a pena lembrar e sou um fã incondicional desde então! Minha formação é em Administração e atualmente sou Mestre em Gestão e Negócios pela UNISINOS e pela Universidade de Poitiers, na França. Cursei parcialmente Engenharia Elétrica também na UNISINOS e Automação Industrial na UERGS. Trabalho atualmente num banco brasileiro e sou sócio de um simples mas charmoso bistrô na minha cidade. Conheci a FIRST em 2002 e entrei de cabeça no mesmo ano como competidor da FRC (FIRST Robotics Competition) com a equipe #1156 Under Control. Desde então nunca consegui parar: trabalhei como professor de robótica educacional, fui técnico e mentor, voluntário e juiz em inúmeras oportunidades, no Brasil e no Exterior. Sou voluntário da FIRST há pouco mais de 10 anos tendo atuado como voluntário em New York pela FRC além de voluntário e juiz no Word Festival em Atlanta e Saint Louis pela FIRST LEGO League. Sinto-me gratificado e honrado por poder compartilhar e aprender um pouco mais todos os dias.